domingo, 27 de junho de 2010

As mãos como linguagem: cegos, surdos e mudos

Matéria encontrada no google... Espero que gostem e aprendam....



Aprender uma língua não é apenas uma questão de gravar palavras e frases individuais. A essência da linguagem é a capacidade de juntar palavras em novas combinações. De acordo com o professor de Harvard e lingüista Steven Pinker, os dois motores da linguagem seriam a memorização das palavras e a combinação de pedaços de palavras de acordo com as regras. No início de sua obra O material do pensamento, ele diz: "A linguagem é uma janela para a natureza humana, que expõe características profundas e universais de nossos pensamentos e sentimentos. Os pensamentos e sentimentos não podem ser equacionados aos sentimentos propriamente ditos". A linguagem nos abre uma janela para nossa natureza.
Apesar de todas as potencialidades da linguagem, parece que existem áreas nas quais a ela é inaproriada ou insuficiente, especialmente num relacionamento comunal (de acordo com os tipos de relacionamento identificados pelo antropólogo Alan Fiske). A linguagem não dá conta de tudo o que queremos transmitir. A idéia de incomunicabilidade pode assustar, e desse sentimento compartilham os deficientes.
Surdos, cegos, mudos e afásicos são compelidos a desenvolver linguagens específicas. Para superar suas dificuldades comunicacionais, eles criam e recriam códigos. São novas formas de ver e ler o mundo, de senti-lo, por exemplo, na palma de suas mãos.


O Braile

O Braile foi inventado pelo francês Louis Braille. Antes da invenção não havia um código de leitura específico para os cegos. Louis Braille, no entanto, quando estudava no Instituto Nacional para Jovens Cegos, em Paris, um colégio interno fundado por Valentin Haüy, teve contato com um sistema formado por este último. Os livros eram compostos por grandes letras em alto relevo para serem reconhecidas pelos contornos, algo, porém, sem grande praticidade e que os encarecia.

Para compor o alfabeto, também precisou tomar conhecimento de outra linguagem pré-existente. Inspirou-se em um código de leitura táctil inventado por Charles Barbie, um oficial da artilharia francesa que necessitava ler no escuro das trincheiras. O código de Barbie também servia para enviar mensagens codificadas a sentinelas. Esse sistema se utilizava de uma série de pontos em alto relevo.

Esse sistema não representava letras, mas sons, e por isso foi chamado "Grafia sonora". Todavia, não foi recebido com muito entusiasmo, e, por isso, seu inventor o adaptou para deficientes visuais. Também não teve grande sucesso assim, pois um mesmo símbolo substituía muitas coisas e por isso podia causar confusão.

Louis Braille ao se deparar aos 12 anos com tal sistema pôs-se a aprimorá-lo, constituindo sua própria linguagem. Logo aos 17 anos estava ensinando alunos extra-oficialmente, já que o braile ainda não era reconhecido. Seu quarto era o quartel general da linguagem revolucionária. Mais tarde, Braille reconheceria Barbier como fonte de inspiração.

Braille temia que seu método não fosse levado adiante, mas o governo francês o oficializou em 1954, dois anos após sua morte precoce aos 43 anos. Napoleão III promoveu a mundialização da língua ao expô-la um ano seguinte na Exposição Internacional de Paris, juntamente com um concerto de piano com os ex-alunos do inventor. Os restos mortais do professor chegaram a ser transferidos para o local onde se sepultam os corpos dos heróis-nacionais, o Panthéon, em Paris. Outra conquista da língua data de 1892, quando Frank H. Hall produziu uma máquina capaz de reproduzi-lo.

O Braile começou a ser utilizado no Brasil em 1856. As estimativas calculam a existência de 750 mil cegos no país, e uma lei obriga a distribuição gratuita de material em braile para todos eles. Para isso imprimem-se apenas 25 títulos por mês, num total de 4 mil volumes, quantidade insuficiente. As editoras fazem parte do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, e da Fundação para o Livro do cego, em São Paulo.



Estrutura

Atribuindo a função de um símbolo a determinada combinação de 6 pontos (dois na horizontal e três na vertical), Braille substituiu todas as letras do alfabeto, sinais de pontuação, acentuação e números na criação do novo código. Os símbolos brailes são chamados de células.

Para ler o braile basta deslizar os dedos sobre o papel, identificando a posição dos pontos. Para escrever, é necessário uma placa de metal perfurada no formato de várias células, com um papel grosso embaixo. Nas células da placa, há 6 furinhos, onde o escritor introduz um instrumento semelhante a um prego de ponta arredondada, marcando o papel sem furá-lo. Escreve-se da direita para a esquerda, de modo a, finalizada a escrita, poder-se virar o papel e lê-lo da esquerda para a direita. A disposição dos pontos é a seguinte:

1 4

2 5

3 6

De "A" a "J", as letras são formadas pelos pontos 1,2,4 e 5. Quando um sinal específico os precede, os símbolos passam a representar os números de 1 a 10. O ponto 3 é adicionado aos dez primeiros sinais para formar de "K" a "T". E o 3 e o 6 são usados simultaneamente quando se escreve de "U" a "Z", exceto o "W". Este é uma combinação do 2,4,5 e 6.

Há três níveis de habilidade em braile. No primeiro, representa-se letra por letra com uma combinação celular; no segundo abreviam-se as conjunções, preposições e pronomes mais comuns; e no terceiro, para o qual exige-se memória e tato muito desenvolvidos, as abreviaturas são mais complexas como -ista, -mente e -dade.



A Aquisição do Braile



A aquisição do braile enquanto linguagem leva de 3 a 4 anos, substancialmente mais que a linguagem verbal.

Não é somente da necessidade de memorização que se trata, mas também de noções complexas como a de quantidade e desenvolvimento de coordenação motora para o manejo do reglete e da punção (instrumentos com os quais se escreve). Ademais, os cegos precisam associar os significantes aos significados, e nesse ponto o processo se complica, já que seu modo de conhecer, pela audição e pelo tato, difere do método pedagógico mais comum. O costume é abusar do sentido da visão para “mostrar o mundo” aos alfabetizantes, seja com figuras, recortes de letras em revistas, recursos multimídias, referência a outdoors e propagandas visuais, etc.

A noção de quantidade é necessária à medida que o braile se estrutura em combinações matemáticas de pontos numerados de 1 a 6. Os números por si próprios já são signos, cujo significado é a própria noção de quantidade. Após a compreensão da linguagem matemática, é preciso associar a posição espacial dos pontos a sons. Isso implica num esforço mental maior que o da aprendizagem do alfabeto romano.

Para os alfabetizantes videntes, conhecer implica em ver, o que não serve para os cegos. Eles precisam tatear, e por conseqüência, explorar os objetos. Assim, a função háptica (tátil) substitui a visual no conhecimento de estruturas em três dimensões, mas leva mais tempo para ser desenvolvida e aplicada. A função auditiva, conforme o pensador americano Jackendoff, está ligada ao conhecimento corporal e à dança, e por isso também ao conhecimento geométrico em três dimensões.

No entanto, pode-se aprender a conhecer tão eficaz e rapidamente com os ouvidos como com os olhos, o problema é o atraso do método educacional para alfabetizar em braile. Como se lança mão de recursos imagéticos para os videntes, é possível utilizar em quantidade os auditivos para os cegos, como modificar sotaques e pronúncias, imitar sons, dizer letras, brincar com instrumentos musicais, manusear objetos que façam barulho, ouvir rádio e vídeos, além de exercícios de consciência corporal como (pintar dentro de círculos que imitem a letra braile, desenhar os pontos braile com a ajuda de réguas em circunferência, brincadeiras de roda com o alfabeto, dramatizações (exemplos de Adriana Riess Karnal, estudiosa de Jackendoff).

Inserir os deficientes visuais em ambientes estimulantes do ponto de vista auditivo potencializaria mais ainda a alfabetização, pois é com a linguagem oralizada eles podem receber explicações e entender melhor conceitos abstratos, com a convivência com outras pessoas que aprenderão a fazer os gestos e expressões faciais que têm significado lingüístico.

Adriana Riess Karnal propõe ainda o uso do e-braile, uma ferramenta eletrônica, para inserir os cegos no mundo digital e acelerar a aprendizagem. No lugar do mouse se acoplaria um aparelho com seis botões imitando uma célula, e seu pressionamento ordenado representaria uma letra. Uma espécie de áudio-book reagiria à “digitação” e reproduziria o som correspondente à palavra, constituindo assim um método de estudo individual e entretenimento. Pode-se ainda desenvolver o equipamento a ponto de permitir o acesso a todas as possibilidades digitais do computador.

Adaptação de “O processo de alfabetização de crianças cegas em braile” de Adriana Riess Karnal.



Jornalistas Cegos




Embora os jornalistas usem muito o sentido da visão ao interpretarem e guardarem na memória os fatos a serem reportados, os cegos também podem ter grande sucesso nessa profissão. Álvaro Zermiani, estudante cego de Jornalismo da UNISUL (em Florianópolis), conta que os cegos, ao desenvolverem mais o sentido da audição, podem lembrar melhor o que as pessoas disseram em entrevistas ou no cotidiano. Também detectam melhor oscilações nas vozes dos outros, descobrindo como eles estão emocionalmente.

"A cegueira não é de todo ruim nessa profissão", diz ele, "pois a visão é um sentido que distrai facilmente: quem enxerga está sempre atento a qualquer movimento ou barulho externo ao plano de observação do jornalista. Os cegos podem, portanto, se concentrar mais, captando informações que passam despercebidas a seus colegas de trabalho".

"Nem todos, porém, desenvolvem tanto a audição", como declara o cego Sidney Tobias de Souza num fórum da internet. Referindo-se às declarações de Zermiani, diz ele: "Não vejo nada e não tenho super audição. E vivem me cobrando isso. Dá pra parar? Eu só quero ser normal".

Mesmo assim, nada impede um cego de ser jornalista. O site "Boletim", da UFMG, em matéria sobre o ex-aluno cego Edson Batista Júnior, formado em Jornalismo, diz que para se fazer jornalismo é necessário enxergar com o coração, não necessariamente com os olhos. Edson declara nunca ter deixado de fazer nada por culpa da deficiência. Foi militante, graduou-se, deu aulas de inglês, fez cursos de computação e é um "internético": com ajuda dos programas Dosvox e Virtual on-line (ver abaixo "Ledores de tela") usufrui da web como qualquer outro.

Atualmente Edson trabalha como repórter da revista mensal "Pé na rua" da cidade de Betim-MG.



Surdos


Sinais

Os sinais são formados a partir da combinação da forma e do movimento das mãos e do ponto no corpo ou no espaço onde esses sinais são feitos. Nas línguas de sinais podem ser encontrados os seguintes parâmetros que formarão os sinais:


Configuração das mãos: São formas das mãos que podem ser da datilologia (alfabeto manual) ou outras formas feitas pela mão predominante (mão direita para os destros ou esquerda para os canhotos), ou pelas duas mãos.
Os sinais DESCULPAR, EVITAR e IDADE, por exemplo, possuem a mesma configuração de mão (com a letra y). A diferença é que cada uma é produzida em um ponto diferente no corpo.

Ponto de articulação: é o lugar onde incide a mão predominante configurada, ou seja, local onde é feito o sinal, podendo tocar alguma parte do corpo ou estar em um espaço neutro.
Movimento: Os sinais podem ter um movimento ou não. Por exemplo, os sinais PENSAR e EM-PÉ não têm movimento; já os sinais EVITAR e TRABALHAR possuem movimento.
Expressão facial e/ou corporal: As expressões faciais / corporais são de fundamental importância para o entendimento real do sinal, sendo que a entonação em Língua de Sinais é feita pela expressão facial.
Orientação/Direção: Os sinais têm uma direção com relação aos parâmetros acima. Assim, os verbos IR e VIR se opõem em relação à direcionalidade.
[editar]As convenções da Libras
A grafia: os sinais em libras, para simplificação, serão representados na Língua Portuguesa em letra maiúscula. Ex.: CASA, INSTRUTOR.
A datilologia (alfabeto manual): usada para expressar nomes de pessoas, lugares e outras palavras que não possuem sinal, estará representada pelas palavras separadas por hífen. Ex.: M-A-R-I-A, H-I-P-Ó-T-E-S-E.
Os verbos: serão apresentados no infinitivo. Todas as concordâncias e conjugações são feitas no espaço. Ex.: EU QUERER CURSO.
As frases: obedecerão à estrutura da LIBRAS, e não à do Português. Ex.: VOCÊ GOSTAR CURSO? (Você gosta do curso?)
Os pronomes pessoais: serão representados pelo sistema de apontação. Apontar em LIBRAS é culturalmente e gramaticalmente aceito.

Para conversar em LIBRAS não basta apenas conhecer os sinais de forma solta, é necessário conhecer a sua estrutura gramatical, combinando-os em frases.

Além disso, existe uma série de siglas e jargões no universo das libras.

A linguagem de sinais também é usada pelos mudos.



História da Educação dos surdos

Até o final do século XV, não existiam escolas especializadas para os surdos, pois, na época, eles eram considerados pela sociedade incapazes de serem ensinados como pessoas normais. Julgadas como intelectualmente inferiores, as pessoas surdas eram em geral excluídas do convívio social. Não obstante, na intenção de auxiliar essa classe excluída e marginalizada da sociedade, alguns educadores passaram a desenvolver métodos básicos que facilitassem a comunicação entre todos. Essa comunicação incluía a língua utilizada pelos surdos naquela época com alguns gestos e sons desenvolvidos pelos educadores. Foi a partir dessa junção que se deu o desenvolvimento da Língua de Sinais que conhecemos hoje, a qual proporciona gradativamente uma facilidade no diálogo entre surdos e ouvintes, rompendo um pouco dessa "barreira” existente entre o mundo silenciado e as pessoas que eram consideradas pela sociedade como normais.

Dentre os principais educadores dos surdos, pode-se destacar como sendo o pioneiro no desenvolvimento e na educação dos não ouvintes, o professor francês Charles Michel de l’Epée. Em meados do século XIX, percebendo a necessidade que esses indivíduos tinham em se comunicar, o abade l’Epée resolveu reunir um grupo de surdos em um espaço escolar público nos subúrbios de Paris e criou métodos de comunicação para o grupo. Do ponto de vista do desenvolvimento do ensino dos surdos brasileiros, o professor l’Epée foi um grande facilitador no processo de surgimento da Língua Brasileira de Sinais.
A partir de então, vários institutos foram desenvolvidos internacionalmente, tomando como base os princípios de l’Epée. No Brasil, a educação dos surdos também teve seu ponto de partida com os métodos de ensino desenvolvidos por tal professor. Dom Pedro II convidou o professor Huet, um surdo aprendiz dos métodos de comunicação do professor l'Epée, a praticar e desenvolver técnicas de ensino com não ouvintes brasileiros. A partir dessa vinda, em 1857, no estado do Rio de Janeiro, surgiu o primeiro instituto educacional brasileiro dos surdos: Instituto Nacional de Educação dos Surdos (INES).
A língua de sinais trazida da França pelo professor Huet, associada aos métodos de comunicação que os surdos utilizavam no Brasil naquela época, deu origem a uma junção de sinais e gestos manuais, corporais e visuais que possibilitaram o surgimento da verdadeira Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS).
No INES, os surdos oriundos de diversas partes do país eram escolarizados, recebiam as primeiras lições estudantis e desenvolviam suas capacidades intelectuais e profissionais até então discriminadas pela sociedade. Aos dezoito anos retornavam aos seus locais de origem levando consigo o que aprenderam no INES e conseqüentemente a LIBRAS.



A educação dos surdos no Brasil

Até a década de 60, como na maioria dos países, o Brasil seguia a orientação dominante, considerando como melhor alternativa para o ensino de crianças surdas o atendimento em separado, já que seus problemas lingüísticos as diferenciavam das crianças ouvintes.
Assim, apareceram muitas escolas especiais para surdos, onde os portadores de deficiência auditiva eram educados, predominantemente, sob o aspecto da reabilitação oral.
A partir dos anos 80, seguindo a tendência mundial de integração, adotou-se nova orientação no campo da educação dos surdos: a integração do aluno surdo ao sistema regular de ensino (Educação Inclusiva - processo de inclusão dos portadores de necessidades especiais ou de distúrbios de aprendizagem na rede comum de ensino em todos os seus graus).
Tal tendência encontrou respaldo filosófico, legal e político-educacional na Constituição da República Federativa do Brasil (1988) que garante, em seu artigo 208, inciso III, “o atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”.
Somando-se ao artigo, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA, 1990) atesta a igualdade de oportunidades que as crianças e os adolescentes com deficiência deverão possuir em termos de educação, sendo o Estado e toda sociedade responsáveis pelo seu zelamento (BRASIL, 1990).
Em 22 de dezembro de 2005,o Presidente da República assinou o Decreto n° 5.626. O capítulo IV do decreto trata especificamente do acesso dos deficientes auditivos à educação.



A aquisição da linguagem pela criança surda



Alguns anos após a inclusão da língua de sinais nos estudos lingüísticos, foram iniciadas pesquisas sobre o processo de aquisição da linguagem em crianças surdas filhas de pais surdos. Essas crianças têm a oportunidade de acesso a uma língua de sinais em iguais condições ao acesso que as crianças ouvintes naturalmente têm em uma língua oral-auditiva. Frisa-se a palavra "oportunidade" porque representam apenas 5% das crianças surdas, ou seja, 95% das crianças surdas são filhas de pais ouvintes, os quais, quase sempre, não dominam uma língua de sinais. No Brasil, a LIBRAS começou a ser investigada em estudos na década de 80 e a aquisição da LIBRAS nos anos 90.

Estudos da aquisição da linguagem infantil realizados nas línguas de sinais e nas línguas orais revelaram a presença de algumas generalizações interlingüísticas e intermodais em relação à produção dos primeiros sinais e em relação ao desenvolvimento do vocabulário. Tais estudos trouxeram para discussão a precedência de aquisição de sinais em relação à aquisição de palavras no período de aquisição da linguagem. Definiu-se que a aquisição dos primeiros sinais representa o limite entre os estágios pré-lingüístico e o lingüístico. Logo, considerando que o processo de aquisição das línguas de sinais é análogo ao processo de aquisição das línguas faladas, os próximos tópicos apresentam os estágios de aquisição adotados nos estudos sobre a aquisição da linguagem em geral.



Período pré-lingüístico



O período pré-lingüístico se estende do nascimento ao início dos primeiros sinais. De acordo com estudos a respeito do balbucio em bebês surdos e bebês ouvintes no mesmo período de desenvolvimento, verificou-se que o balbucio é um fenômeno que ocorre em todos os bebês, surdos e ouvintes, decorrente da capacidade inata para a linguagem. Observou-se que essa capacidade inata é manifestada não apenas por meio de sons, mas também através de sinais.
Nos bebês surdos foram detectadas duas formas de balbucio manual: o balbucio manual silábico e a gesticulação. O primeiro apresenta combinações que pertencem ao sistema lingüístico das línguas de sinais. A gesticulação, ao contrário, não apresenta organização interna. Os bebês surdos e os bebês ouvintes apresentam os dois tipos de balbucio até um determinado estágio e desenvolvem o balbucio da sua modalidade. É por isso que os estudos afirmavam que as crianças surdas balbuciavam (oralmente) até um determinado período. As vocalizações são interrompidas nos bebês surdos assim como as produções manuais são interrompidas nos bebês ouvintes.

As semelhanças constatadas na sistematização das duas formas de balbuciar sugerem a existência no ser humano de uma capacidade lingüística inata que sustenta a aquisição da linguagem independentemente da modalidade da língua, isto é, seja ela oral-auditiva ou espaço- visual.

A percepção visual configura-se como um aspecto de extrema relevância no desenvolvimento da criança surda. Inicialmente ocorre contato visual entre os interlocutores e, então, o bebê surdo com a atenção visual voltada para a face do interlocutor, capta indícios sutis no rosto que lhe servirão para atribuir significado aos sinais de sua língua. O uso de expressões faciais, a repetição de sinais e a utilização de movimentos mais lentos e amplos na articulação dos sinais são estratégias utilizadas pelos pais para atraírem a atenção visual dos bebês surdos. A produção manual, no período pré-lingüístico corresponde à produção do que é denominado balbucio manual, pelo apontar e pelos gestos sociais - acenar, mandar beijos, bater palmas, etc.



Estágio de um sinal

O estágio de um sinal começa por volta dos 12 meses da criança surda até os 2 anos de idade. A hipótese de que a aquisição da língua dos sinais teria início antes da aquisição das línguas orais causou discussões entre pesquisadores sobre a questão da iconicidade nas línguas de sinais, sobre o desenvolvimento motor das mãos, sobre a questão da visibilidade dos articuladores e a interferência dos pais na produção dos sinais. Petitto argumenta que a criança simplesmente produz gestos que diferem dos sinais produzidos por volta dos 14 meses, classificando tal produção gestual como pertencente ao balbucio, do período pré-lingüístico. As crianças surdas com menos de 1 ano, assim como as crianças ouvintes, apontam freqüentemente para indicar objetos e pessoas. Mas quando a criança entra no estágio de um sinal, o uso da apontação desaparece. Nesse período parece ocorrer uma reorganização básica em que a criança muda o conceito da apontação inicialmente gestual (pré-lingüística) para visualizá-la como elemento do sistema gramatical da língua de sinais (lingüístico).


Estágio das primeiras combinações

As primeiras combinações de sinais surgem por volta dos 2 anos nas crianças surdas. Nem todos os verbos da ASL (American Sign Language) podem ser flexionados a fim de se marcarem as relações gramaticais em uma sentença. Existem verbos que apresentam inviabilidade na incorporação dos pronomes como, por exemplo, os verbos GOSTAR e PENSAR na LIBRAS. Dessa forma, as crianças surdas precisam adquirir duas estratégias para marcar as relações gramaticais: a incorporação dos indicadores e a ordem das palavras. A incorporação dos indicadores envolve a concordância verbal, e essa depende diretamente da aquisição do sistema pronominal.

No estágio das primeiras combinações de sinais, as crianças começam a usar o sistema pronominal, porém de maneira inconsistente. Ocorrem 'erros' de reversão pronominal, exatamente como acontece com crianças ouvintes. As crianças utilizam a apontação direcionada ao receptor para se referirem a si mesmas. Pode ser surpreendente constatar esse tipo de erro nas crianças surdas em virtude da aparentemente nítida correspondência entre a forma de apontação e o seu significado. Contudo, esse tipo de erro e a evitação do uso dos pronomes do estágio anterior são fenômenos diretamente relacionados com o processo de aquisição da linguagem. A despeito da aparente relação entre forma e significado da apontação, a compreensão dos pronomes não é óbvia para a criança dentro do sistema lingüístico da ASL, diante das múltiplas funções lingüísticas que apresenta. Na LIBRAS, observou-se a combinações de sinais, geralmente envolvendo de dois a três sinais. Ocorrem omissões do sujeito, mas não do objeto. Na LIBRAS, são utilizadas formas “congeladas” dos verbos com concordância e o uso adequado dos pronomes estabelecidos no espaço de sinalização.



Estágio das múltiplas combinações




Por volta dos 2 anos e meio a 3 anos, as crianças surdas apresentam a “explosão do vocabulário”. Começam a ocorrer as chamadas distinções derivacionais (a diferenciação entre CADEIRA e SENTAR, por exemplo).O pleno domínio dos recursos morfológicos da língua é completamente adquirido por volta dos 5 anos de idade.

A criança surda ainda não utiliza os pronomes para referir-se aos objetos e às pessoas que não estejam presentes fisicamente. Usa substantivos não associados com pontos no espaço. Mesmo quando a criança realiza tentativas de identificação de pontos no espaço, apresenta falhas de correspondência entre a pessoa e o ponto espacial.

Com os referentes presentes no discurso já ocorre a utilização consistente do sistema pronominal. Dos 3 anos em diante, passa-se à utilização do sistema pronominal com referentes ausentes no contexto do discurso. Contudo, ainda registram-se erros. De 3 anos a 3 anos e meio, as crianças usam a concordância verbal com referentes presentes. Não obstante, flexionam alguns verbos de forma inadequada nas línguas de sinais, num fenômeno análogo a generalizações verbais como 'fazi', 'sabo' e ‘gosti’ na língua portuguesa.

Por volta dos 4 anos, a concordância verbal ainda não é praticada adequadamente. Somente entre 5 e 6 anos, as crianças tornam-se capazes de flexionar os verbos corretamente. Pode-se concluir que o processo de aquisição da língua de sinais pelas crianças surdas ocorre num período análogo à aquisição da língua oral-auditiva em crianças ouvintes. Desse modo , os estudos de aquisição da linguagem indicam universais lingüísticos.



Aprendizado, pelos surdos, da língua portuguesa escrita

Grande parte do grupo de surdos e deficientes auditivos utiliza a língua de sinais para se comunicar e tem grande dificuldade para aprender a Língua Portuguesa. Isso porque a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais), sua língua-mãe, é gestual-visual, utilizando como meio de comunicação movimentos gestuais e expressões faciais que são percebidos pela visão, enquanto a Língua Portuguesa é oral-auditiva.


A tecnologia a favor dos deficientes




Tecnologia para portadores de deficiência visual

Os ledores de tela

Para um cego, ao contrário do que se possa pensar, a internet também facilita a vida. Existem equipamentos chamados "ledores de tela", que lêem os códigos da web e os reproduzem sonoramente por meio de sintetizadores de voz. Os cegos, precisam, no entanto, aprender códigos como o html, em que certas páginas são escritas, para entendê-las de todo.

O problema do acesso desse tipo de deficiente ao mundo digital não é pequeno, pois é difícil convencer todos os produtores de conteúdo na web a usarem códigos acessíveis à leitura dos cegos. Certos webdesigners precisam de linguagens complicadas para aplicar cores variadas, formas e gráficos complexos em sites.

As páginas de bancos, cujos gráficos de cotação da bolsa e outras atividades econômicas costumam ser muito elaborados, são praticamente ilegíveis desta forma. O aproveitamento do serviço bancário online seria essencial para ao conforto de um cego, pois este poderia pagar suas próprias contas sem sair de casa, reduzindo a possibilidade de ele ser logrado por outrem ou perder a privacidade.

Há um serviço de busca no Google chamado Accessible Search (Busca Acessível) que organiza os sites em ordem de simplificação de linguagem, facilitando o uso dos ledores de tela.



Serviços de transcrição

Existem empresas, geralmente vinculadas a associações de deficientes visuais, que oferecem serviços de transcrição feitos por profissionais. Eles transcrevem de e para braile. O serviço funciona inclusive pela internet.

O serviço de correios também o faz, de modo que deficientes visuais de todo o país podem enviar e receber suas correspondências na sua linguagem própria gratuitamente. A Central Braille funciona em Belo Horizonte, no segundo andar da Agência JK dos Correios, já que a idéia do projeto partiu deste estado. Esse é um bom artifício para poupar o cego de ter que pedir a alguém para ler e escrever suas cartas. O serviço não implica na violação de correspondência pois as cartas são encaminhadas para uma caixa postal específica e reservada, além do interesse do remetente na leitura do tradutor.



Inovações tecnológicas para os deficientes auditivos

Dicionário Digital
A Secretaria de Educação Especial do Ministério da Educação (MEC) produziu o Dicionário Digital na Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS, no formato CD-Rom. Foram distribuídos cerca de 15 mil dicionários para todo o país. Espera-se que cerca de 50 mil estudantes de escolas públicas brasileiras utilizem o material.
O CD-Rom apresenta as palavras em movimento na Língua de Sinais. Este produto foi criado para auxiliar a capacitação de professores que irão trabalhar com alunos deficientes auditivos do Ensino Fundamental.


O dicionário digital também está disponível na internet, no site
Acesso Brasil

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